sábado, 24 de julho de 2010

Praça Capitão Jovino (a que chamam de Santa Teresinha).

Mas que coisa.
Ela já foi uma praça cuidada.
Há muitos anos, quando ainda se chamava Praça Brasil (lá pelos idos dos anos 60), tinha até dupla de Pedro e Paulo (policiamento da BM) permanente.
Era cuidada (o Prefeito era o Senhor Mário Menegaz).
Virou Praça Capitão Jovino, em homenagem a um grande nome desta cidade, quando a atual Avenida Brasil Leste (que era Avenida Capitão Jovino) trocou de nome em favor da unificação da denominação de nossa principal avenida.
De lá para cá, nem o nome da praça é respeitado, pois a maioria das pessoas – aí incluídas a imprensa e a administração pública – a tratam por Santa Teresinha, a padroeira da Igreja católica que na região está sediada (ainda que existam mais dois templos de outras confissões por ali).
Realizaram-se nela algumas festas de Natal (Som, Luz e não me lembro mais o quê), entremeadas de atividades nada a ver com o tema, do tipo nativistas, com duração pra lá de incômoda, tipo terminar pela uma hora da madrugada do dia em que os ocupados da cidade, que por ali moravam, teriam que trabalhar.
Testemunharam-se então, bebedeiras, brigas, fumaças e outros cheiros nem sempre provocados pelos churrasquinhos de gato ali vendidos, e até mesmo um assassinato.
Tudo isso ali, nesta querida e tão maltratada praça.
Passado o tempo, virou ela a moradia de sem tetos que têm de dia a ocupação de achacar quem por ali pensa em estacionar seu carro, e de noite seus pontos de sono, afora seus bancos, outrora tão convidativos a um descanso, terem se tornado o ponto de bebedeiras sem fim de desocupados de toda a ordem.
Tentaram colocar iluminação que a tornasse atraente à noite, mas os mesmos desocupados providenciaram em reduzir os pontos a pedradas e outros tipos de vandalismo, condenando-a ao breu dos desamparados.
Neste ano se anunciou a remodelação da Praça Santa Teresinha (assim foi o anúncio, acerca de obras que remodelariam a Praça Capitão Jovino).
Ao lado deste anúncio, outras notícias davam conta de que certa empresa, vencedora de uma certa licitação para remodelação e modernização de logradouros públicos (leia-se: praças) não estaria conduzindo bem seus trabalhos, estaria com eles atrasados, etc...
Pois em meio a estas notícias, eis que o calçamento interno da Praça Capitão Jovino é arrancado e as pedras são empilhadas; passam-se semanas e as pedras ali empilhadas e a chuva transformando os caminhos em estradas barrentas, em tudo semelhantes àquelas usadas pelos primeiros tropeiros que por aqui aportaram.
Passado mais um tempo, as pedras são recolhidas por caminhões que adentram pelas calçadas, terminando por deteriorar os passeios que ainda resistiam incólumes ao vandalismo patrocinado pelo despreparo.
Passado daí mais de mês, eis que máquinas terraplanam os passeios internos (aqueles de terra entre os canteiros), e em seguida vêm as chuvas e mais barro ali se forma.
Logo a seguir – semana que passou – a parca iluminação que ainda existia some: o serviço de terraplanagem atingiu a fiação elétrica (e também os encanamentos de água)...
E assim, temos ali, hoje, passados meses, uma área destinada ao público que o público não pode usar.
À vista de tudo isso, certamente que cada um de nós pergunta:
Há, nesta valorosa cidade de Passo Fundo, alguém com capacidade de a administrar?
Há alguém que pense antes de começar a fazer algo que não vai concluir em seguida?
Eu, como professor da UPF, garanto que nesta semana vou até a Faculdade de Engenharia verificar se no currículo deste curso existe algum tipo de matéria que pelo menos refira a necessidade de, para a realização de qualquer obra, por menor que seja, ser ela precedida de um PLANEJAMENTO mínimo.
Se existir, até admito que possa. em algum dia voltar a votar em outro engenheiro para administrar a cidade.
Mas, por enquanto, garanto que não... assim como garanto que não votarei em quem tenha sido (ou seja) o encarregado do (des)planejamento da minha cidade...