Li hoje, na rede social, postado pela Professora Sueli
Gehlen Frosi, que os professores terão
vales para comprar livros, segundo anúncio feito pelo prefeito Luciano. Questionou a professora, com muita lucidez, se não seria melhor que
os professores, em todos os níveis, ganhassem tão bem que não precisassem
cheques isso e aquilo? Lembrou que “os professores são a nata da sociedade e
são tratados com descaso em demasia” e que “um professor não é um missionário
ou um sacerdote, ele é um profissional, embora vocacionado para o que há de
mais lindo no mundo.”
Tal postagem me fez refletir sobre o tema, trazendo-me a
lembrança algumas observações que pude fazer quando na Presidência da Fundação
UPF, assim como algumas discussões havidas em outros foros.
Fala-se muito na qualidade do ensino, mas não vejo ações no
sentido de mudar o quadro que, por vezes, é pintado com cores nada favoráveis.
Certamente que o fornecimento de vales isso ou aquilo não é
um caminho que ajude a que a educação chegue ao patamar desejado, objetivo
desejado por muitos, mas pouco entendido ou definido com clareza.
É muito “achismo”, na verdade.
Ao lado de uma remuneração digna de assim ser chamada, há
que se pensar em se ter a análise do quadro que se apresenta, com informações
capazes de orientar a política pública que, implantada, haverá de em um tempo
(menor ou maior, não interessa, mas em um tempo, por que definidas as linhas a
serem adotadas) trazer a educação para o caminho que toda a sociedade precisa
(que se importa, mesmo, com outras atividades tidas como prioridades que não
deveriam ser, e sem resultados, por que dependem elas, na verdade, de uma
educação adequada).
Entendo que sejam os professores um “produto” (perdoem a
expressão, mas preciso desta imagem para chegar ao ponto que pretendo apontar),
um “produto”, repete-se, que é entregue à sociedade por cursos que se
propuseram a formá-los mediante um bom preço (mensalidades caras, ainda que,
para que as instituições os mantenham, proponham “bolsas” que reduzem ditos valores,
tudo, sei bem, para que haja para ditas instituições um resultado = lucro).
Então, precisamos saber como este “produto” se apresenta, o
que ele traz de resultado.
Necessário ir, assim, até a “origem”, ou seja, os cursos que
formam estes professores.
Propus, certa vez, a um prefeito, que se fizesse uma
radiografia do ensino no município, cadastrando informações sobre os
professores, levantando-se dados como onde se formou, desempenho, aprovação de
alunos, etc...; levar os dados aos cursos que formaram estes professores e
analisá-los em conjunto, pois que – resumidamente - com base nisso poder-se-ia
CORRIGIR os cursos que formam os professores, de maneira que o “produto”
entregue satisfizesse a necessidade da sociedade.Temos por aqui muitos cursos formadores de professores, oferecidos por Instituição do Ensino Superior, recheados de Mestres e Doutores, cumprindo as exigências do MEC na sua constituição. Assim, em tese, temos cursos com quadros de formadores extremamente qualificados, mas não sabemos, na real, que “produto” está sendo entregue. Ou melhor: o “produto” entregue não está a altura da necessidade que temos.
Não seria, então, o caso de nos lançarmos na busca de numa
caminhada mais lúcida, mais objetiva, mais, enfim, responsável?
“Vale leitura”? Ou quem sabe valha a pena se pensar com
olhos voltados ao futuro da educação, tirando-os das medidas originadas das sempre
fáceis condutas populistas que, no fundo, visam a figura do administrador, e
não ao que a sociedade necessita?