FLORES SE ESPELHAM NOS PRESOS DO SEMI-ABERTO E ESCAPAM ATRAVÉS DE
GRADES.
PASSO FUNDO, URGENTE.
Estarrecida, a população desta nossa valorosa cidade localizada no
norte do Estado vê que os regimes prisionais adotados não têm trazido os
resultados esperados pelas autoridades e por boa parte dos defensores dos
chamados direitos humanos, sempre penalizados pelos “pobres coitados” que,
revestidos de elemento continente do tipo antropoide, têm como conteúdo as deformidades
de personalidade e de caráter induzidoras de condutas criminosas.
Assim, neste final de ano, a
cidade fundada pelo cabo Manuel José das Neves vem sendo abalada por crimes
cometidos por beneficiados pelo regime carcerário do tipo vai, assalta e volta
para comer e dormir. (A propósito de ter
sido a cidade fundada por um Cabo, lembro que, quando servi, observei que quase
tudo o que acontecia de atrapalhado no quartel era culpa de um cabo... então,
não é, ”vai sabê”).
Botânicos estão se reunindo em
caráter emergencial com vistas a encontrar uma saída para estas fugas (saída para
as fugas é bom, hem ô Batista?) e, dada a complexidade de tais condutas,
únicas, ao que se sabe, nestas espécies focadas, pediram auxílio a filósofos e
psicólogos, os quais se uniram a eles, botânicos, e estão a disponibilizar seus
conhecimentos e experiências com humanos para entender o comportamento das
plantas.
A sociedade observa com curiosidade
e temor ambas as condutas - a dos apenados e a das flores – mas, segundo
pesquisa realizada pela equipe que trata da reeleição daquela senhora, os
efeitos de uma e outra não terão qualquer influência no pleito do ano que vem;
por isso, pensam eles que se deva determinar, por medida provisória, a imediata
poda das flores que se aventurarem para fora das grades, cabendo à ministra dos
direitos humanos eventuais providências para confortar os apenados também eventualmente
pegos em flagrante por esta polícia intransigente.
As autoridades estaduais,
encarregadas da segurança pública, não se manifestaram quanto às incidências de
crimes cometidos ultimamente na cidade, tampouco quanto às razões de Passo
Fundo contar com tão poucos policiais nas ruas. Afinal, a desculpa furada de
que não tem como colocar um policial em cada esquina e, ainda, a de que mesmo
que se coloquem mais, os meliantes vão praticar o crime onde o policiamento não
está, não colam, pois nem mais os bois dormem com esta conversa. Segundo declarou
um bovino – que pediu para não ser identificado, com medo de represálias -, ações
efetivas, diuturnas e que não sejam ocasionais, como as dos tipos operação
isso, operação aquilo (frustração de algum chefe por não ser cirurgião?),
trazem resultados sim: policiamento visível e ATIVO põe a bandidagem para
correr. Também não se manifestaram ditas autoridades acerca da já chamada pela
população “rebelião das flores”.
Um dos nossos correspondentes
ouviu de uma Rosa que o que as flores querem, na verdade, é dar o exemplo para
a população, mostrar que é possível sair às ruas de novo e EXIGIR aquilo que já
foi objeto de manifestações em junho deste ano e que morreu sem qualquer mudança
realizada, a não ser, na esfera federal, a “bolsa mais médicos”, concedida aos
irmãos Castro. Ainda que Cartola tenha dito que as ROSAS NÃO FALAM, quem sabe sigamos o que esta disse, saiamos das nossas clausuras e peçamos nada mais, nada menos do que é o nosso direito: direito à segurança, direito a não precisar viver numa casa cercada por grades, direito a poder circular a qualquer hora sem ser assaltado, direito a ver os filhos saírem e voltarem ilesos para casa, direito a saber e ver preso condenado cumprindo sua pena sem privilégios e sem oportunidades para assaltar, estuprar, sequestrar, matar.
Só isso, nada mais do que isso ....