sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

DA REBELIÃO DAS FLORES.


FLORES SE ESPELHAM NOS PRESOS DO SEMI-ABERTO E ESCAPAM ATRAVÉS DE GRADES.

PASSO FUNDO, URGENTE.


Estarrecida, a população desta nossa valorosa cidade localizada no norte do Estado vê que os regimes prisionais adotados não têm trazido os resultados esperados pelas autoridades e por boa parte dos defensores dos chamados direitos humanos, sempre penalizados pelos “pobres coitados” que, revestidos de elemento continente do tipo antropoide, têm como conteúdo as deformidades de personalidade e de caráter induzidoras de condutas criminosas.

Assim, neste final de ano, a cidade fundada pelo cabo Manuel José das Neves vem sendo abalada por crimes cometidos por beneficiados pelo regime carcerário do tipo vai, assalta e volta para comer e dormir.  (A propósito de ter sido a cidade fundada por um Cabo, lembro que, quando servi, observei que quase tudo o que acontecia de atrapalhado no quartel era culpa de um cabo... então, não é, ”vai sabê”).

Pois estes atos de integração promovidos pelos apenados do semi-aberto (integração através da “entregação” dos bens dos honestos para eles, mediante um suave encostar de um trinta e oito na nuca de um filho, ou efetivo enforcamento de vitima indefesa, ou três tiros em uma mulher que ouse se assustar com o assalto), estão a refletir no comportamento de seres do mundo vegetal. Colocadas em residências cercadas por grades (que, por seu turno, estão a fazer falta nos presídios local e da região), flores se negam a ficar confinadas e, desapercebidamente, começaram a adotar o comportamento dos apenados locais: estão elas a sair por entre as grades.

Botânicos estão se reunindo em caráter emergencial com vistas a encontrar uma saída para estas fugas (saída para as fugas é bom, hem ô Batista?) e, dada a complexidade de tais condutas, únicas, ao que se sabe, nestas espécies focadas, pediram auxílio a filósofos e psicólogos, os quais se uniram a eles, botânicos, e estão a disponibilizar seus conhecimentos e experiências com humanos para entender o comportamento das plantas.

A sociedade observa com curiosidade e temor ambas as condutas - a dos apenados e a das flores – mas, segundo pesquisa realizada pela equipe que trata da reeleição daquela senhora, os efeitos de uma e outra não terão qualquer influência no pleito do ano que vem; por isso, pensam eles que se deva determinar, por medida provisória, a imediata poda das flores que se aventurarem para fora das grades, cabendo à ministra dos direitos humanos eventuais providências para confortar os apenados também eventualmente pegos em flagrante por esta polícia intransigente.

As autoridades estaduais, encarregadas da segurança pública, não se manifestaram quanto às incidências de crimes cometidos ultimamente na cidade, tampouco quanto às razões de Passo Fundo contar com tão poucos policiais nas ruas. Afinal, a desculpa furada de que não tem como colocar um policial em cada esquina e, ainda, a de que mesmo que se coloquem mais, os meliantes vão praticar o crime onde o policiamento não está, não colam, pois nem mais os bois dormem com esta conversa. Segundo declarou um bovino – que pediu para não ser identificado, com medo de represálias -, ações efetivas, diuturnas e que não sejam ocasionais, como as dos tipos operação isso, operação aquilo (frustração de algum chefe por não ser cirurgião?), trazem resultados sim: policiamento visível e ATIVO põe a bandidagem para correr. Também não se manifestaram ditas autoridades acerca da já chamada pela população “rebelião das flores”.

Um dos nossos correspondentes ouviu de uma Rosa que o que as flores querem, na verdade, é dar o exemplo para a população, mostrar que é possível sair às ruas de novo e EXIGIR aquilo que já foi objeto de manifestações em junho deste ano e que morreu sem qualquer mudança realizada, a não ser, na esfera federal, a “bolsa mais médicos”, concedida aos irmãos Castro.

Ainda que Cartola tenha dito que as ROSAS NÃO FALAM, quem sabe sigamos o que esta disse, saiamos das nossas clausuras e peçamos nada mais, nada menos do que é o nosso direito: direito à segurança, direito a não precisar viver numa casa cercada por grades, direito a poder circular a qualquer hora sem ser assaltado, direito a ver os filhos saírem e voltarem ilesos para casa, direito a saber e ver preso condenado cumprindo sua pena sem privilégios e sem oportunidades para assaltar, estuprar, sequestrar, matar.

Só isso, nada mais do que isso ....





 

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