sábado, 22 de março de 2014

BM - O CAVALO SOGUEIRO DO RIO GRANDE.


Estávamos eu e o então Tenente Cairo Bueno de Camargo divulgando o Plano de Educação para o Trânsito criado por nós na APM (As aventuras de PMzito e Dinimin no Trânsito).
Era o mês de fevereiro – e nossas férias!!!! – e viajávamos no meu carro, um Corcel (!!!!).
Andamos por todo o Rio Grande (é desta viagem que Ijuí, por seu então prefeito, assumiu o Plano e temos, hoje, esta cidade como a mais educada do Brasil, para as questões de trânsito).
Pois passando pela estrada em construção perto de Rosário, avistamos um Gaúcho paramentado na estrada, com sua mala amarrada por uma corda. O Cairo e eu estávamos à paisana.
Parei o carro e demos carona para ele, que nos disse se chamar Quirino Dias e, na longa convers que se seguiu, que por ali tinha o seu umbigo enterrado (traduzindo: nascera naquela região).
Num dos pontos estreitos da estrada em construção parei o carro, pois em sentido contrário vinha um caminhão do então Serviço de Subsistência, para abastecimento, acredito, do 2º RPMon, sediado em Livramento.
Ao passar o caminhão da Subsistência, dei sinal de luz, tendo sido por ele correspondido.
Neste momento, o velho gaúcho diz:
-“Aí vai o cavalo sogueiro do Rio Grande”.
Cairo e eu nos olhamos e o Seu Quirino, sentindo naquele gesto algum tom de desaprovação, logo explicou:
-“Vejo que os moços não entendem muito da linguagem de fazenda. Pois cavalo sogueiro é aquele que está encilhado e sempre pronto, preso na soga, à disposição do patrão, do capataz e de qualquer peão para, a qualquer momento, sair pra resolver alguma coisa em qualquercanto da fazenda. Assim é esta velha Brigada, sempre pronta para o quê o Rio Grande precisar dela”.
Sorrimos, eu e o Cairo, e, então, nos identificamos.
Não esqueci mais desta metáfora, que sempre me vem à mente, mesmo quando vejo a BM montada por peões e ginetes sem condições de ter nas mãos as suas rédeas .

quarta-feira, 19 de março de 2014

Separação dos bombeiros e BM está marcada para 2016.


O argumento usado pelos que defendem a separação repousa na alegação de que os bombeiros dependem do orçamento da BM, assim como da administração pelo Comando da Brigada das verbas ali consignadas.
Com a separação, dizem eles, cada Corporação teria o seu próprio orçamento, e o administraria no sentido de seus próprios objetivos: a PM para o Policiamento Ostensivo e os Bombeiros para a prevenção e combate a incêndios e demais catástrofes.
Será que a simples separação da miséria aumentará a riqueza?
Pergunto isso, por que a minha preocupação reside no fato de que a penúria do Estado não diminuiu.
Na realidade, o que teremos é que o orçamento de uma Instituição será dividido e destinados os montantes naquele previstos para os de duas Corporações ...
Então, se temos dois serviços à meia boca (polícia ostensiva e bombeiros), em quê, quanto e quando cada um melhorará com esta divisão?
Ou será que teremos mais garantias contra incêndios e diminuição nas de prevenção e combate aos assaltos e atentados à vida?
De certeza apenas isso: pelo menos um dirigente e uma cúpula diretiva a mais no topo da administração pública - o comandante geral dos bombeiros e seu staf -, acompanhados daqueles custos com que sempre nos resignamos.

quinta-feira, 6 de março de 2014

IPE: NENHUMA BENESSE É DE GRAÇA; ALGUÉM VAI PAGAR A DIFERENÇA.

Atenho-me hoje a transcrever o artigo publicado por Rosane Oliveira, na sua "Página 10", da ZH deeste 6 de março. Ali se diz tudo, e se vê como os nossos políticos jogam com a coisa pública, como se deles fosse e pudessem, por isso, dispô-la no seu interesse. Só que a conta que daí se origina é paga por toda uma sociedade que, a cada dia, vê mais longe o seu ideal de uma vida digna e justa, em que todos paguem pelo que recebem e recebam o que lhes pe devido pelo que pagam.
Em alguma hora o eleitor saberá escolher quem seja o administrador justo, saberá afastar o político profissional, elendo aquele cujo objetivo não seja o de se manter eternamente no cargo político.
Aí o artigo:
"Vendedores de ilusões
Um plano de saúde em que se possa incluir pai e mãe pagando uma contribuição irrisória só é possível de ser comprado no mercado de ilusões. Por isso, convém os funcionários públicos não se empolgarem com o projeto do deputado Paulo Odone (PPS), que está para ser votado na Assembleia, nem com a proposta alternativa do governo, que deve ser apreciada em regime de urgência nas próximas semanas. Seria ótimo se fosse viável, mas não é.
Se o projeto de Odone for aprovado, o governador Tarso Genro ficará com o ônus de vetá-lo, alegando vício de origem: a Assembleia não pode criar despesa sem indicar a fonte de receita. O projeto de Odone diz que todos os servidores com salário inferior a R$ 4,4 mil poderão incluir pai e mãe como dependentes, desde que a renda de cada um não seja superior a R$ 1,1 mil. Ora, se 77,1% dos servidores ganham abaixo de R$ 4,4 mil, significa que pouquíssimos pagarão alguma coisa para ter os pais como dependentes.
O governo só pediu urgência na votação do seu projeto para não ser acusado de malvadeza com os servidores se simplesmente vetar a proposta de Odone. Vende a ilusão de que está abrindo as portas do IPE-Saúde para os pais dos funcionários públicos, mas deixa a contribuição para ser definida mais tarde, com base em cálculos atuariais. Na prática, o servidor poderá colocar os pais como dependentes, mas a contribuição será quase tão elevada quanto a de um plano privado.
Os deputados têm dificuldade para votar contra um projeto popular, porque quase todos são candidatos à reeleição, mas os partidos que têm projeto de poder deveriam avaliar o risco de o IPE-Saúde quebrar com a inclusão de novos dependentes na faixa etária que mais precisa de médicos, exames e internações. Isso é matemática: não existe plano de saúde grátis.
Em 2012, o IPE fez uma consulta extraoficial aos servidores para saber se tinham interesse em incluir os pais como dependentes, pagando alguma contribuição. Cerca de 30 mil responderam que sim, mas não se falou de quanto seria a contrapartida. O IPE chegou a iniciar um estudo atuarial sobre a contribuição necessária para incluir dependentes já na terceira idade. Os dados preliminares chegaram a um valor entre R$ 300 e R$ 400. O Conselho Deliberativo concluiu que era inviável, e o assunto ficou congelado.
O presidente do IPE, Valter Morigi, calcula que o plano de saúde quebraria em, no máximo, seis meses se fossem incluídos dependentes sem contribuição ou com a cobrança de uma taxa apenas dos servidores com salários acima de R$ 4,4 mil. Se um dia o IPE-Saúde se tornar inviável, os servidores serão empurrados para o SUS."

quarta-feira, 5 de março de 2014

APOSENTADORIA MAIS CEDO PARA MULHERES POLICIAIS.


Mais um item para a nossa pesada conta ...


Afinal, é fácil, para políticos profissionais – que só pensam no que pode somar votos para suas re-eleições –, promover agrados e mandar a conta daí originada para os eleitores.

Carolina Bahia, na sua coluna de ZH de hoje, dia 5 de março, dá a seguinte nota Animado com a formação do blocão na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) prometeu incluir na pauta a aposentadoria especial para mulheres policiais (federais, rodoviárias federais e civis). A mudança seria de 30 para 25 anos de contribuição, desde que com 15 de carreira, em vez de 20 como hoje. É o tipo de projeto que o governo quer ver engavetado em 2014.”

Considerando que uma aposentadoria que venha cinco anos para qualquer servidor significa contratarem-se cinco anos antes os substitutos e manterem-se, por conta do erário, por mais cinco anos os novéis aposentados, dá para perguntar: quanto vai custar esta redução de 30 para 25 anos, equivalente a 17% do tempo de serviço que está hoje previsto?

(E como sei que vem polêmica, já adianto: sempre me posicionei contra qualquer diferença entre o tempo de serviço de qualquer servidor público com o do trabalhador da iniciativa privada. Afinal, aquele, pela natureza da relação laboral, já usufrui vantagens que não são estendidas a este!)