Estávamos eu e o então Tenente Cairo Bueno de Camargo divulgando o Plano de Educação para o Trânsito criado por nós na APM (As aventuras de PMzito e Dinimin no Trânsito).
Era o mês de fevereiro – e nossas férias!!!! – e viajávamos no meu carro, um Corcel (!!!!).
Andamos por todo o Rio Grande (é desta viagem que Ijuí, por seu então prefeito, assumiu o Plano e temos, hoje, esta cidade como a mais educada do Brasil, para as questões de trânsito).
Pois passando pela estrada em construção perto de Rosário, avistamos um Gaúcho paramentado na estrada, com sua mala amarrada por uma corda. O Cairo e eu estávamos à paisana.
Parei o carro e demos carona para ele, que nos disse se chamar Quirino Dias e, na longa convers que se seguiu, que por ali tinha o seu umbigo enterrado (traduzindo: nascera naquela região).
Num dos pontos estreitos da estrada em construção parei o carro, pois em sentido contrário vinha um caminhão do então Serviço de Subsistência, para abastecimento, acredito, do 2º RPMon, sediado em Livramento.
Ao passar o caminhão da Subsistência, dei sinal de luz, tendo sido por ele correspondido.
Neste
momento, o velho gaúcho diz: -“Aí vai o cavalo sogueiro do Rio Grande”.
Cairo e eu nos olhamos e o Seu Quirino, sentindo naquele gesto algum tom de desaprovação, logo explicou:
-“Vejo que os moços não entendem muito da linguagem de fazenda. Pois cavalo sogueiro é aquele que está encilhado e sempre pronto, preso na soga, à disposição do patrão, do capataz e de qualquer peão para, a qualquer momento, sair pra resolver alguma coisa em qualquercanto da fazenda. Assim é esta velha Brigada, sempre pronta para o quê o Rio Grande precisar dela”.
Sorrimos, eu e o Cairo, e, então, nos identificamos.
Não esqueci mais desta metáfora, que sempre me vem à mente, mesmo quando vejo a BM montada por peões e ginetes sem condições de ter nas mãos as suas rédeas .
